Sou aliado de aliás,
Alienado de bom trato, bom rapaz.
Tenho tantas duvidas como certezas
Sou ingénuo e inteligente,
Sou demente, água ráz.
Sou agora, vai-te embora,
Excomungado, sem retrato, Satanás.
Sou tratado, sem retrato
Sou inócuo, indulgente,
Estou presente, sou capaz.
Apenas são palavras do que sou.
Somente.
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
sábado, 27 de setembro de 2008
em cru, olhos fixos, encurralado,
preso no objecto perdido e pressionado,
sinto o mudar de pele, o mudar de penteado,
fazer peeling, cortar o encaracolado,
ser imagem não gravada, ser sem registo,
dactilografado,
digito, personalidade, sem personagem,
respirar apenas três vezes, existir,
apenas ser, ser capaz,
ser cru, não assar, ser assaz. não pensar
preso no objecto perdido e pressionado,
sinto o mudar de pele, o mudar de penteado,
fazer peeling, cortar o encaracolado,
ser imagem não gravada, ser sem registo,
dactilografado,
digito, personalidade, sem personagem,
respirar apenas três vezes, existir,
apenas ser, ser capaz,
ser cru, não assar, ser assaz. não pensar
Leito
Eras a corrente e eu o rio…
Talvez pequeno ribeiro.
Movimentavas a minha força,
Forçavas-me a ter determinação,
Determinavas o meu tempo,
Temporalizavas o meu espaço,
Espaçavas-me as obrigações,
obrigavas-me a acreditar,
Credibilizavas a minha duvida,
Duvidavas da minha coragem,
Encorajavas a minha vida,
Vivias a minha vida,
Vivias a minha…
Eu era apenas a água;
Tu eras a força, o espaço, a margem,
Só em ti me podia movimentar.
Talvez pequeno ribeiro.
Movimentavas a minha força,
Forçavas-me a ter determinação,
Determinavas o meu tempo,
Temporalizavas o meu espaço,
Espaçavas-me as obrigações,
obrigavas-me a acreditar,
Credibilizavas a minha duvida,
Duvidavas da minha coragem,
Encorajavas a minha vida,
Vivias a minha vida,
Vivias a minha…
Eu era apenas a água;
Tu eras a força, o espaço, a margem,
Só em ti me podia movimentar.
RTP 2
Suspiro no ouvido, auricular,
Vejo, relembro, não consigo retratar,
Difuso e fosco, longe,
Passado de segundos, segundo plano,
em boca de cena sem teatralizar,
Apenas monologo,
Não respondo, não oiço, preso sem gesticular.
Sem personagem não espero godot,
nem que moliere me desperte,
Bate-me sem entranhar.
Segunda cena, cenário, seguir sem ultrapassar,
Medo rufia, escultura de altar,
Quase sagrado, respirar seco, soluçar,
Gelo, suor, difuso no olhar.
Fico em casa.
Vejo, relembro, não consigo retratar,
Difuso e fosco, longe,
Passado de segundos, segundo plano,
em boca de cena sem teatralizar,
Apenas monologo,
Não respondo, não oiço, preso sem gesticular.
Sem personagem não espero godot,
nem que moliere me desperte,
Bate-me sem entranhar.
Segunda cena, cenário, seguir sem ultrapassar,
Medo rufia, escultura de altar,
Quase sagrado, respirar seco, soluçar,
Gelo, suor, difuso no olhar.
Fico em casa.
Darwin
Deixemo-nos de obstáculos,
Não temos rédea nem forças
Para sustermos o animal.
Temos aposta na velocidade
Mas requeremos técnica e apresentação.
Neste momento estamos à prova
E sabemos os requisitos,
guardamos amuletos somente para não dar azar.
Deixemo-nos de irreal,
Tenho forças para pegar os cornos,
Sou Darwiniano animal,
De subespécie sem parentesco,
Sub-cave, anti-social,
da periferia, à margem da marginal,
em mim , centro da questão, consciência moral.
Não temos rédea nem forças
Para sustermos o animal.
Temos aposta na velocidade
Mas requeremos técnica e apresentação.
Neste momento estamos à prova
E sabemos os requisitos,
guardamos amuletos somente para não dar azar.
Deixemo-nos de irreal,
Tenho forças para pegar os cornos,
Sou Darwiniano animal,
De subespécie sem parentesco,
Sub-cave, anti-social,
da periferia, à margem da marginal,
em mim , centro da questão, consciência moral.
Klint
Não resisto ao beijo
e entrelaço movimentos de boca,
Talvez excessivos,
Nos teus olhos,
Na cova da bochecha,
E no alto detrás da orelha.
Deixo sem preocupação licor terno,
o olhar, de novo, beijar, sem tempo,
Sem recordar, guardo.
Não resisto ao amor de mim,
amo-me, beijo-me, mimo-me, em ti.
e entrelaço movimentos de boca,
Talvez excessivos,
Nos teus olhos,
Na cova da bochecha,
E no alto detrás da orelha.
Deixo sem preocupação licor terno,
o olhar, de novo, beijar, sem tempo,
Sem recordar, guardo.
Não resisto ao amor de mim,
amo-me, beijo-me, mimo-me, em ti.
Já passou...
Bebo mas não esqueço a situação impossível,
Onde morro, desespero, e resisto
Olho tudo como nada.
Tenho medo do toque do telemóvel,
Imóvel e irrequieto; não me deixo tocar.
Tento passar, mas não esqueço.
Sinto o fim da linha e não me consigo desligar,
Entregue e resignado, impotente.
Eu não sou assim.
Onde morro, desespero, e resisto
Olho tudo como nada.
Tenho medo do toque do telemóvel,
Imóvel e irrequieto; não me deixo tocar.
Tento passar, mas não esqueço.
Sinto o fim da linha e não me consigo desligar,
Entregue e resignado, impotente.
Eu não sou assim.
Palavra chave
A tua essência neste fumo desenhada,
É perfume de incenso comum,
A vida queima,
Sem a cadencia do verso,
Repetindo, sem descanso, repetindo.
Os sons acompanham as sílabas, e meias palavras
As mãos são ecos e inibições, ecos.
Decoramos palavras-chave,
Abrimos portas, fugimos ao inverso,
Derretemos a sola dos sapatos, sem ritmo, sem sentido
Aquecemo-nos de pena, escaldámos o capilar,
A vida queima, é senso comum.
É perfume de incenso comum,
A vida queima,
Sem a cadencia do verso,
Repetindo, sem descanso, repetindo.
Os sons acompanham as sílabas, e meias palavras
As mãos são ecos e inibições, ecos.
Decoramos palavras-chave,
Abrimos portas, fugimos ao inverso,
Derretemos a sola dos sapatos, sem ritmo, sem sentido
Aquecemo-nos de pena, escaldámos o capilar,
A vida queima, é senso comum.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
O morto descansa na praia
Os olhos de alguém que o fixa
Os abutres que se chegam ao mar
No silencio da maré vaga,
O pescador acena ao morto
A traineira morde a areia
Presença de nefasta cor
A criança que experimenta o desejo
A mãe que abraça a dor,
Redes atiradas ao sal
O castigo do tempo,
A rotina que corrói o corpo,
uma necessidade de descansar.
Outro dia morto.
De carinhos,
de ti quem sabe,
Amordaço ao peito
O desejo de algo superior,
Intimo,
Uma amizade
Que esbraceja mais forte,
Um ouvir sem palavras
o que para mim significas
Pássaro de asa curta
De olhos brandos
Amo amar-te assim
Simples,
sem compromissos ou velhas ideias,
Um sentimento que me isola,
Embora libertes em mim
Pássaro de asa curta
O desejo amordaçado ao peito
de ti quem sabe,
Amordaço ao peito
O desejo de algo superior,
Intimo,
Uma amizade
Que esbraceja mais forte,
Um ouvir sem palavras
o que para mim significas
Pássaro de asa curta
De olhos brandos
Amo amar-te assim
Simples,
sem compromissos ou velhas ideias,
Um sentimento que me isola,
Embora libertes em mim
Pássaro de asa curta
O desejo amordaçado ao peito
terça-feira, 22 de julho de 2008
Já nada fazia sentido,
Os outros eram nulos, invisíveis,
Fechávamos os olhos.
Hoje houve finalmente silencio.
Crias-te o esboço e o inqualificável. Não resultou.
Sais-te não te impedi.
Colávamos as margens com a minha ponte,
de única via, com portagens, sem saída.
Estávamos sufocados, perdidos;
Eu perdido dentro de ti, sem saber de mim,
Tu dentro de mim, sozinha a procurar-me.
O céu nunca te prendeu,
Voavas para fugir.
Os outros eram nulos, invisíveis,
Fechávamos os olhos.
Hoje houve finalmente silencio.
Crias-te o esboço e o inqualificável. Não resultou.
Sais-te não te impedi.
Colávamos as margens com a minha ponte,
de única via, com portagens, sem saída.
Estávamos sufocados, perdidos;
Eu perdido dentro de ti, sem saber de mim,
Tu dentro de mim, sozinha a procurar-me.
O céu nunca te prendeu,
Voavas para fugir.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
salmo
Quase de raiva dó de dormente, dor,
Sem nota nem anotação, sem gráfico de medida,
Equação.
Tudo matemático, de cabeça, pela raiz de cabelos,
Corte, cabeça rapada, tábua rasa, arrasar.
Sem aquilo que me escapa e faz falta ao condimento,
Sem papas, papo ou dente de alho,
Tudo cru
Conversa em ponto cruz, credo, bife em sangue,
Deus me livre, pão nosso.
Sem nota nem anotação, sem gráfico de medida,
Equação.
Tudo matemático, de cabeça, pela raiz de cabelos,
Corte, cabeça rapada, tábua rasa, arrasar.
Sem aquilo que me escapa e faz falta ao condimento,
Sem papas, papo ou dente de alho,
Tudo cru
Conversa em ponto cruz, credo, bife em sangue,
Deus me livre, pão nosso.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
sétima
Neste silêncio, neste tempo
Aquela praia, aquele verso
Dorme o tempo, dormem as pessoas
Na tua voz, os teus braços;
Cortas o silêncio, cortas o descanso,
com os versos, na areia, as pessoas,
Neste tempo curto, estendido.
Aquela praia, aquele verso
Dorme o tempo, dormem as pessoas
Na tua voz, os teus braços;
Cortas o silêncio, cortas o descanso,
com os versos, na areia, as pessoas,
Neste tempo curto, estendido.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
16 de junho
Sentou-se na minha mesa de café
Tratou-me pelo meu nome próprio,
Pediu café e cravou-me um cigarro.
Passámos o tempo a olhar os olhos,
Eu os dela, e ela os dela também
No reflexo dos óculos.
Disse apenas adeus de sumisso,
Nunca mais a vi.
Tratou-me pelo meu nome próprio,
Pediu café e cravou-me um cigarro.
Passámos o tempo a olhar os olhos,
Eu os dela, e ela os dela também
No reflexo dos óculos.
Disse apenas adeus de sumisso,
Nunca mais a vi.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
6 de junho de 2008
Os ângulos não eram oblíquos nem rectos,
não se tocavam, não tinham dimensão,
eram encontros, sem linhas ou ligação,
eram diáspora sem conhecer palavra,
simples vocabulário, sem espaço para todas as letras
Conversa encabulada, quadrada, limitada,
Códigos, palavra cruzada.
Quando escrevo numa folha livre,
Não tenho limites, não consigo parar,
Fico preso na cadencia,
esperando o ponto final.
Quando desenho, sou cavalinho de rédeas
em superfície áspera,
Desgasto-me, tento-me retratar.
Quando o assunto se torna pessoal,
fia mais fino, calo o bico.
não se tocavam, não tinham dimensão,
eram encontros, sem linhas ou ligação,
eram diáspora sem conhecer palavra,
simples vocabulário, sem espaço para todas as letras
Conversa encabulada, quadrada, limitada,
Códigos, palavra cruzada.
Quando escrevo numa folha livre,
Não tenho limites, não consigo parar,
Fico preso na cadencia,
esperando o ponto final.
Quando desenho, sou cavalinho de rédeas
em superfície áspera,
Desgasto-me, tento-me retratar.
Quando o assunto se torna pessoal,
fia mais fino, calo o bico.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Já que não estamos juntos, ficamos próximos.
Não acaba a comunicação, mas há menos rede
interferências no canal.
Já não metemos água mas andamos à chuva
e metemos os calos na poça
apanhamos constipação.
Já que estamos doentes, diagnosticados de solidão,
vamos ser um e meio, um quarto para as dois,
fazemos quantidade, mantemos relação.
Já que não estamos juntos, estou só.
Não acaba a comunicação, mas há menos rede
interferências no canal.
Já não metemos água mas andamos à chuva
e metemos os calos na poça
apanhamos constipação.
Já que estamos doentes, diagnosticados de solidão,
vamos ser um e meio, um quarto para as dois,
fazemos quantidade, mantemos relação.
Já que não estamos juntos, estou só.
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